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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Vida que segue

Demorei exatos 6 meses para ter a coragem de contar sobre os últimos dias do marido.

Foi horrível!

Se você puder imaginar uma luta incessante, agonizante e completamente cheia de amor e sofrimento, você chegou perto.

Ver quem a gente ama sofrendo sem fim e inimaginavelmente duro!

Matt decidiu parar o tratamento em Dezembro, dias antes do Natal. Ele teve uma última sessão de quimioterapia que o deixou na cama por 26 dias. Ele só se levantou e tomou banho para o almoço de Natal, o que levou 3 horas para ser cumprido. 3 longas horas para conseguir se levantar, tomar banho, se arrumar e descer para a ceia. Ele não viu os meninos encontrando os presentes embaixo da árvore, mas levamos tudo para o quarto para que ele pudesse ver o sorriso nos rostinhos de nossos filhos.

As coisas só pioraram depois disso.

Dois dias depois tive que levá-lo às pressas para o hospital com uma infecção que demoraram muito a diagnosticar. Com muita sorte por termos seguro de saúde aqui, ele pôde ficar em um hospital particular, o que faz toda a diferença nessas horas.

Minha irmã que estava de férias no Brasil teve que largar tudo e voar para cá, perdendo metade das férias no calorão do Brasil e voltando pro frio que ela estava fugindo no Canada, onde mora.

Foram 12 dias.

12 longos dias tentando ajudá-lo, tentando fazer com que ficasse confortável na medida do possível.. e a doença seguia progredindo... infelizmente...

3 meses se passaram e as coisas ficaram impossíveis para que eu cuidasse dele sozinha. Até o início  de Março  eu fazia tudo para ele, dava banho, levava ao banheiro, carregava escada acima, colocava e tirava da cama... dava todo o meu carinho, admiração e companheirismo... sempre com muito bom humor... Ele se tornou um filho para mim.

Até que Matt pediu que seu irmão viesse da Tailândia, onde mora, porque queria se despedir.

Nós conseguimos levá-lo para se despedir do pai, serei sempre grata a este esforço. O pai do Matt tinha Alzheimer e já não se lembrava de ninguém mas olhou para Matt e disse com um sorriso: Este é meu filho, Matthew!

Todos choraram neste momento...

Dias depois recebemos a noticia que de ele tinha apenas alguns dias de vida. Foi devastante, porque achávamos que ele teria ainda algumas semanas.

Um enfermeiro veio para passar a noite e cuidar dele para que eu pudesse dormir, como se isso fosse possível.

Na segunda feira, dia 12 de Marco, bem cedinho, eu notei que sua respiração estava diferente, ofegante e rapida. Me levantei e fui ate ele, que erguia a mão  como se estivesse tentando tocar alguma coisa. Matt perdeu a visão nos últimos dias.

Chamei seu irmão e disse que estava na hora. Ele se sentou ao lado de Matt e segurou suas mãos. eu me ajoelhei ao seu lado e o confortamos. Minha mão estava sobre seu peito magrinho, o coração acelerado, suava frio e os olhos estavam arregalados.

Ele olhou para a porta e seguiu com os olhos, acho que foi o momento que sua mãe veio busca-lo.

Uma unica lagrima caiu de seus olhos... ele sorriu... e partiu....

Seu sofrimento havia acabado... e uma paz, um alivio, um sentimento de imenso de amor tomou meu coração  .

Ele estava livre.. livre da dor.. livre da culpa por não conseguir lutar mais.. livre de todo aquele sofrimento...

Ele estava em paz... fez tudo com muita serenidade, escolheu as flores e a musica para o proprio funeral, desejou ser cremado e que suas cinzas fossem colocadas em uma igreja na cidade de Bath, junto as cinzas de sua mãe, o que fizemos três meses depois.

E esta foi a nossa jornada..

Seguimos aqui, fortes como sempre, juntos como sempre, fazendo o nosso melhor a cada dia, sabendo que ele esta melhor onde estiver do que estava aqui, e isto nos conforta...





terça-feira, 27 de junho de 2017

Um ano depois do all clear

Pois é...

Eu sei... abandonei o blog.. não foi intencional, eu simplesmente queria usar meu tempo livre inteiramente para minha familia.. e também, porque a luta não acabou no ano passado quando disse que Matt estava curado.. 

Infelizmente..

Foi um ano bem difícil.. mas tambem bem gostoso.. semanas depois que Matt recebeu o "all clear" eles descobriram um novo tumor, na parte superior do fígado, mas o oncologista sabia que Matt não aguentava mais fazer quimioterapia e precisava de um break, dos grandes..

Decidiram então que a melhor opção para ele seria fazer mais uma ablação, dessa vez com microondas de calor, mas isso seria feito por um radiologista do próprio hospital onde Matt já faz tratamento e com isso seu oncologista acompanharia todo o processo de perto. O cara foi otimo! Disse que foi fundo e esquentou bastante o tumor assim esse safado não voltaria!

O que ele não contou é que isso poderia causar ao Matt uma séria infecção.. o que aconteceu nas semanas seguintes..

Foi HORRÍVEL!!! Matt suava o tempo todo e tinha tremedeira q ficava por 30 minutos, meu desespero só aumentava e MAtt se recusava a ir ao hospital. Era  sábado e estávamos sozinhos com os meninos.. foi assim o fim de semana todo.... no domingo à noite implorei à ele que me deixasse levá-lo ao hospital, pelo menos poderia ser examinado..

E assim o fiz na segunda-feira pela manhã, com a ajuda da minha viznha para cuidar dos meninos..

Levei-o direto para a emergência e depois de horas de exames e muita cara feia do médico que estava no plantão, ele foi mandado para casa!!!!!!!

Ele prescreveu alguma coisa que nao me lembro, mas não perceberam que ali havia uma infecção seria ( Hospital Publico - St. Peters em Chertsey).

No dia seguinte liguei cedo para o oncologista e também para o plano de saúde e pedi para para que ele fosse atendido imediatamente, então fomos para lá na mesma hora ( Hospital Particular). 

Ao chegarmos o oncologista do Matt já estava lá nos esperando, junto com o radiologista que fez o tratamento de ablação e 3 enfermeiras e o médico de plantão da noite que entrou mais cedo para saber de tudo!!!!!

Matt tinha um abcesso ( excesso de pus acumulado numa cavidade que, formada de maneira acidental nos tecidos orgânicos, pode ter sido produzida por algum tipo de inflamação. - dicionário online), ou seja, o tratamento deu certo, mas as células cancerígenas morreram e apodreceram dentro do mesmo lugar, dando origem a uma bolha de pus, beeeem grande!

Imediatamente após ser examinado, os médicos decidiram dar a Matt antibiótico na veia, assim o efeito seria mais rápido. Na mesma noite também, lhe foi colocado um dreno semi permanente para drenar todo esse pus. Matt ficou internado lá por 5 dias em tratamento.

Minha irmã veio do Canadá assim que pôde e me ajudou imensamente com os meninos e com a casa.

Matt ainda teve de ficar tomando antibióticos por cerca de 10 dias mas dois dias depois que ele saiu do hospital nós pegamos um vôo e fomos para a Grécia e tivemos merecidas ferias!








No final deu tudo certo.. sempre dá.. 

Matt voltou pra químio no final de 2016 mas num regime diferente.. mas isso fica para o próximo post.. ;-)


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Deus e maraaaaaa!!!!

Deus do Céu! Esperei, desculpa, esperamos! Eu, meu amor, minha familia e a dele, e todo mundo que acompanha: Matt esta curado!!!!

Não... ainda não podemos dizer que é para sempre e que não tem nenhuma celulazinha safada no corpo dele, mas entregamos seu corpo nas mãos da Virgem Maria e ela lavou tudo de ruim que poderia ali habitar...

Gente, sucesso!!! É a palavra que descreve o que sucedeu o Nanoknife e as Ablações no fígado do bem amado. 

Na consulta com o oncologista não ficou muito clara a diferença entre o scan feito pre nanoknife e o pós nanoknife, o que é mais curioso é isso, o que leva a crer que ele ja estava curado mesmo antes desses tratamentos mega caros, mas que nos deu uma combustão de esperança. Aparentemente o que ele tem são  apenas cicatrizes onde haviam células cancerígenas, pois elas estão todas mortas! 

Matt deveria ter feito 6 sessões de químio depois do nanoknife mas depois de 4 decidiu parar... eu o apoiei, como apoio sempre, em tudo, ele já havia sofrido demais e os efeitos colaterais estavam ficando piores a cada sessão. 

No dia 17/06 soubemos o bom resultado dos exames e Matt então pôde respirar aliviado, ele está oficialmente fora do tratamento, por tempo indeterminado. 

Em duas semanas ele fará um outro exame para saber se há, em seu corpo, alguma célula cancerígena ativa, para ter certeza que todos os exames batem e tomar a decisão final de parar, mas nós temos certeza que ele está curado e de agora em diante só precisamos rezar e agradecer. 

Ele fará outro scan em 3 meses, e sempre de 3 em 3 meses para monitorar. O oncologista queridão explicou que este tipo de câncer, se for pra voltar, volta nos primeiros meses, se passar de 12 meses e porque não volta mais, está lacrado!!!

Agora responde pra mim: Deus é mara ou não e? 

Deus é maraaaaaaaa!!!!!!! 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Nanoknife

Só quem passou por isso, ou por alguma coisa parecida sabe como é. Ver quem a gente ama sofrendo, com dor, com carinha de dodói, cansado, sem disposição e ainda assim, juntando todas as forças para participar da hora do banho, ler uma história, rezar, colocar pra dormir, ajudar com alguma coisa se estão doentes... E essas coisinhas todas que papais e mamães fazem todos os dias.

Esse papai aqui é muito nota 10 viu! Tira forças sei lá de onde para fazer as vontades e as necessidades dos meninos! Por isso a gente ama esse cara pra caramba! 

E por ele a gente faz o possível e o impossível virar realidade! 

Quando Matt me disse que era, finalmente, um candidato a fazer o Nanoknife eu senti uma felicidade indescritível! Era como se Deus estivesse ali nos segurando nos braços e dizendo " Filhos redobrem vossa Fé, pois Eu estou aqui para ajudá-los". Foi naquele momento triste em que nossa fé estava meio quebrada ao meio e mais uma vez Ele nos mostrou que  a fé, ah essa nunca se pode perder.

O único problema era que esse tratamento ( que eu vou explicar em seguida ),  não foi ainda aprovado pelo Conselho Nacional de Saúde daqui e portanto não está disponível para o convênio médico (que nós temos pela empresa que Matt é contratado) e nem pelo Sistema de Saúde Público aqui, pois ainda está em fase experiemental. 

Eles ainda precisam de mais evidências de que o tratamento realmente funciona. 

Nanoknife significa nano - no, sem / knife- faca, corte = cirurgia sem corte. É feito com a utilização de duas agulhas que atravessam a pele e (guiados por um ultrassom) vão até o tumor e quando lá dentro liberam uma descarga elétrica de 3000 volts que, literalmente, fritam o tumor de dentro para fora, enquanto a quimioterapia tenta chegar no tumor de fora para dentro. 


                           

O Nanoknife, no caso do marido, foi feito apenas no tumor primario ( no pancreas) e nao nas metastases, pois sao muitas e a maioria pequenas. 
Dois desses tumores metasticos são um pouco maiores ( menos de 2 cm em diâmetro) e podem receber um outro tipo de tratamento chamado Ablação deRadiofrequência  e é feito mais ou menos do mesmo jeito. Uma agulha comprida vai lá dentro do tumor e esquenta o danado com microondas de calor, ao invés de eletricidade, traumatizando e perfutando as células cancerigenas que a partir disso cometem suicidio. 
Louco ne? 
Com tudo isso acontecendo nós precisariamos de ajuda com os meninos, ja que, diferente do que muita gente deve pensar, nós não temos ajuda nenhuma, de ninguém. 
Claro que tem uma ajuda do governo, por Matt ser paciente de câncer, mas na prática, ajuda com os meninos e com a casa, ou com Matt nos dias mais difíceis, não, nós não temos ajuda nenhuma. 
Então pedi para minha irmã e madrinha do Nathan vir passar uns dias aqui para nos ajudar com tudo e matar a saudadona dos meninos e ela topou na hora! Foi otimo ter minha melhor amiga aqui comigo! 
Mas, voltando ao tratamento...
Foi bem tranquilo. Matt se internou na quarta feita ao meio dia e o procedimento foi feito às 5 da tarde. Às 6 horas o medico me ligou no quarto e avisou que ja tinha terminado e que tinha sido tudo tranquilo e às 7 horas da noite ele estava de volta no quarto, sorrindo e dizendo que estava com fome! 

Ele dormiu bem, sentiu um pouco de dor pois o pâncreas ficou bem inchado depois do procedimento e estava pressionando o estomago, mas isso desapareceu nos dias seguintes e 4 dias depois já não sentia mais nada. 
Eu estou contando toda essa história não só para compartilhar com vocês tudo o que passamos aqui e como estamosconquistando, com muita fé e suor, a cura do Matt, mas também para levar esperança para pessoas que possam estar no mesmo lugar em que nós  estamos.
Se você conhece alguém que poderia se beneficiar desse tratamento, não hesite em compartilhar essa história. Já está na hora desse tratamento chegar no Brasil. Até o momento sei que já existe nos Estados Unidos, Austrália, Malásia, Alemanha e aqui no Reino Unido. Pessoas de todos os lugares do mundo vêm à Londres para se tratar com o Professor Leen. O tratamento é particular e a pessoa deve entrar em contato via Telefone ou email no Hospital Princess Grace no centro de Londres. 
O telefone para contato e + 44 (0) 20 74861234 
Você pode ler mais sobre o Nanoknife clicando no link. 
Muito amor e fé para todos. 


O médico que faz esse procedimento aqui se chama Professor Edward Leen e ele é radiologista intervencional, não é oncologista e nem cirurgião. 

Este tipo de procedimento é feito em pouquíssimos  lugares no mundo, mas esta chegando mais e mais em muitos países e eu acredito que pode revolucionar o tratamento contra cânceres de difícil acesso ou agressivos como o caso de Matt. 






                              




                              




                                     




Seg-Sex 9-5.30 ( Hora Local)





quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Not quite yet.... But yeah, yet...



Humm deixa eu ver onde parei... Ah sim... O câncer está inativo. 

A notícia chegou como uma bomba! Bomba de felicidade e esperança... 

Esperamos tanto tempo por boas notícias, promissoras, reais e que nos fizesse acreditar ainda mais que a cura está cada vez mais próxima. 

Nas semanas seguintes ao resultado da tomografia, tivemos uma consulta com o cirurgião que o oncologista do Matt acredita ser o melhor nessa região. 

Ele nos mostrou todas as imagens das ressonâncias do Matt, desde o momento da diagnose até o ultimo e pudemos ver e comparar a diferença e o quanto as imagens mudaram nesse quase um ano e meio enquanto o cara, todo posh, mas muito gentil, soltava frases como " isso é quase inacreditável" e "isso é incrível", enchendo o maridão de orgulho! 

Nós conversamos muito e ele nos contou todos os prós e contras desse tipo de cirurgia chamada Whipple. Nela a cabeça do pâncreas junto com parte do estômago, do duodeno e outras coisinhas mais que fazem parte do sistema digestivo seriam retiradas. Matt ficaria no hospital por cerca de 10 dias, se tornaria permanentemente diabético, e sua imunidade cairia no chão, por ser uma cirurgião muito evasiva e demorada. 

Ele disse não achar que esse seria o momento ideal para uma cirurgia como esta pois tinha medo de que com seu sistema imunológico abalado o câncer poderia "reviver" e voltar a crescer. E nós não queremos isso né?! 

Era uma sexta feira e voltamos para casa digamos que okay... Mas aiiiii doeu tanto vê-lo desapontado... 

Foi um fim de semana meio estranho e notei Matt bem cabisbaixo, tentando disfarçar, mas era nítida a tristeza que ele sentia, sem ter certeza do que o futuro. Ele já estava fazendo tantos planos... Pensando em como seria voltar a trabalhar, viagens que queremos fazer... Não que isso não vá acontecer, mas parecia muito mais perto de acontecer, sabe?!  

Na segunda pela manhã eu fui com Nathan para a lua de natação, e deixei meu celular no carro. Como moramos perto, eu nem me dei ao trabalho de checar por mensagens ou ligações.

Quando eu voltei para casa com Nathan lá estava Matt, nos esperando na porta de casa... Ele me abraçou quase chorando, eu pude perceber, mas com um sorriso lindo no rosto e os olhos cheios de esperança me disse: "I can do Nanoknife!" 

Eu fiquei atônita! Não sabia o que falar, pensar, e as palavras não vinham... Eu me encaixei direito em seus abraço e o apertei. Choramos juntos, mas dessa vez, de felicidade.

To be continued   


domingo, 10 de janeiro de 2016

Daqui pra frente, tudo vai ser diferente...

Tá bom, tá bom, podem me xingar! Eu sei que não passo por aqui desde Outubro... :( Vontade não me falta e nem história pra contar, mas falta tempo e com o final de ano as coisas ficam ainda mais complicadas.

Já começou em Novembro quando Matt precisou fazer uma pequena cirurgia para limpar um cateter que ele tem inserido no ducto que passa a bile no fígado. Para encurtar a história, ficou tudo sob meus cuidados por umas boas 3 semanas, porque assim que ele começou a ficar melhorzinho da cirurgia, já teve que ir fazer tratamento.

Nessa mesma época ele fez uma ressonância magnética para saber em que situação estava a doença. O resultado foi Doença Estável, depois de meses tendo encolhimento. Isso poderia significar que o câncer estava ficando imune ao tratamento e na dúvida Dr. Dhillon achou melhor aumentar a dose da quimioterapia. Ele tambem falou em trocar de tratamento, mas conversando achamos melhor seguir com esse numa dose maior, pois sabemos que está fazendo efeito. 

A ideia  era fazer 3 tratamentos e mais uma Ressonância e uma Tomografia Computadorizada.

Matt pediu duas semanas off de tratamento para as festas de final de ano, o que fez toda a diferenca para nós, pois no ano anterior ele fez tratamento logo depois do Natal e foi muito ruim, pois minha familia estava aqui e ele perdeu muita coisa... e eu tambem, pois não queria sair de perto dele... 

Enfim, Matt voltou a rotina de tratamentos na sexta feira, dia 8/1/16. Também foi o dia em que o médico entrou correndo no quarto dele para lhe dar uma notícia estarrecedora: a tomografia detectara que o câncer do Matt está inativo. 

Um minuto por favor para imaginar nossa felicidade!!!!

Pois é, todo o sofrimento não esta sendo em vão e parece que agora ele é um possível candidato a cirurgia para retirada do tumor. Veja que apenas pacientes que não apresentam metástasessão  candidatos a esta cirurgia, mas o cirurgião local aceitou ve-lo. Yeyyy!!!

Quem tem Deus tem TUDO!!! Agora vocês acreditam no poder da oração? Tenho certeza que rezar a novena das "Mãos Ensanguentadas de Jesus" pedindo a cura física e espiritual do Matt fez tudo mudar.

Alguém ai duvida que a fé move montanhas????

Então, quando Matt me contou sobre a possível cirurgia e tudo mais, eu fui pesquisar sobre tudo que envolve este tipo de procedimento e acabei me deparando com uma coisa nada a ver com o assunto, mas ainda a ver com câncer.

Em um fórum um homem, sobrevivente de câncer de pele, perguntava sobre namorar depois do câncer. Eu fiquei curiosa e fui ler o seu relato.

Ele contava que sua esposa mudou completamente 5 segundos depois da diagnose e que eles se divorciaram durante o tratamento. Ele se curou, e agora tenta encontrar uma pessoa para refazer sua vida, Ele se aposentou quando soube que estava doente, com apenas 48 anos.Hoje, aos 50, está bem estabilizado, mas não consegue encontrar alguem que aceite namorar com uma pessoa que tenha uma historia de batalha contra o câncer. 

Mais triste ainda foi ler os relatos de outras pessoas no mesmo fórum, inclusive mulheres que tiveram câncer  de mama, tiveram que fazer a mastectomia, quimioterapia, radioterapia, perderam os cabelos, os carinhos dos maridos, ganharam olhares estranhos na rua e acabaram por vencer a doença, mas perderam a batalha no amor. Uma delas confidenciava que ainda estava casada, mas que seu marido nem a abraçava mais. 

Então, gostaria de colocar aqui esta pergunta e ver se alguém me responde com toda a sinceridade:

VOCÊ, VIVERIA UM AMOR COM ALGUEM QUE TEVE UMA HISTORIA DE BATALHA CONTRA CANCER?
VOCÊ, HOMEM, VIVERIA UM ROMANCE COM UMA MULHER QUE VIVEU E VENCEU O CANCER DE MAMA? 

Eu pergunto isso porque meu relacionamento com Matt mudou 180 graus, somos muito mais confidentes, carinhosos um com o outro, e 1000 vezes mais íntimos. 

Me deixa feliz e satisfeita por um lado saber que nosso amor está acima de qualquer coisa, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, estamos juntos, vivemos juntos, choramos juntos e que esse choro seja sempre de felicidade.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Gratidão

Eu já pensei em mil maneiras de como começar este post. Pensei em falar sobre fé de novo, sobre o quanto nós nos amamos e aos nossos filhos etc, etc, etc. Mas a palavra hoje é GRATIDÃO.

Gratidão porque hoje faz um ano que o grande e único amor da minha vida foi diagnosticado com o silencioso câncer de Pâncreas.

É inimaginável e indescritível a dor que sinto por não ser capaz de curá-lo, mas entrego sua vida nas Mãos Sagradas de Jesus Cristo e sei que Ele fará o que homem nenhum pode fazer. 

Nesse um ano muitas coisas aconteceram. Depois daquele período difícil, quase sem esperanças, sem saber se ele estaria aqui para comemorar Natal, nosso aniversário de casamento, o aniversário de 1 aninho do nosso baby e o de 3 aninhos do nosso primeiro Príncipe.

Nesse um ano redescobrimos nosso amor, o respeito, a complicidade e o bom humor necessários para um casamento feliz e duradouro ( sem contar que dobramos a paciência ). 

Nesse um ano, tivemos momentos ruins sim, mas muitos momentos bons e felizes. 

Recebemos minha família tão amada e que sinto tanta saudade, minha irmã-amiga veio de Vancouver e meus pais de São Paulo e conseguimos realizar uma das coisas que Matt e eu mais sonhávamos em 
 fazer: o batizado dos nossos pequenos. 

Tivemos um Natal lindo em família com toda a mágica e alegria que esta data sempre traz. E também sofremos a dor da despedida.... 

Nesse ano vimos nosso filho mais velho falar confidentemente dois idiomas aos 2,5 anos de idade. O vimos crescer e se tornar um menino lindo, sorridente, desafiador, inteligente e capaz! O vimos ir para a escolinha pela primeira vez, se desenvolver e se destacar entre os demais como um dos mais queridos e amigáveis. Que orgulho! 

Vimos nosso bebezinho se tornar um bebezao, engatinhar e caminhar, se alimentar sem ajuda e mostrar que ele veio para ser independente e como sempre muito carinhoso e tranquilo ultrapassando cada desafio, cada fase de maneira esplêndida.

Vimos o Nathan deixar as fraldas no passado e usar o toalete direitinho como só um meninão sabe usar e fazer tudo sozinho! 

Também o vimos aprender a nadar.

Compramos uma casa, nos mudamos, nos adaptamos, fizemos novos amigos e conservamos ainda mais os que já tínhamos. 

Mas o mais importante de tudo isso é que aprendemos a celebrar e agradecer por cada desafio ultrapassado e eliminado do nosso caminho, pois desafio é aprendizagem e aprendizagem é evolução. 

Aprendemos a renovar a nossa fé, dia após dia, e nunca, nunca, nunca duvidar do poder de Deus. 

Todos temos uma missão nessa vida e sei que a do Matt era a de se tornar um Cristão verdadeiro e isso ele fez e faz melhor do que eu. 

Nesse 5 de Setembro temos, mesmo, somente a agradecer, não por ter o câncer em nossas vidas, em nossa família, mas agradecer a vida e a oportunidade de poder vivê-la mais intensamente e da melhor maneira possível.

Obrigada querido Deus, por permitir que nosso amado Matthew vivesse tão bem esse último ano, apesar do câncer. 

Sim, apesar do câncer porque escolhemos viver nossas vidas apesar do câncer e não com o câncer. Deus dá a vida a cada um para cada um fazer as suas próprias e melhores escolhas, faça a sua com inteligência. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Fé







Se você crê em Deus você amar este testemunho.

Não é a história da cura (ainda) mas do caminho que Matt percorreu, até aqui, para chegar até a cura. Ele não está curado, câncer requer um tratamento longo e doloroso, cansativo e triste. Triste de se ver e sentir, para ele e para quem o ama e o quer bem, simplesmente porque ele é um homem maravilhoso (sem querer fazer propaganda, mas já fazendo) e merece se curar, merece ver esses meninos crescendo, se formando, se tornando homens de fé e caráter, assim como o papai. 

Eu sempre fui católica apostólica romana. Sempre acreditei e temi a Deus e suas vontades. Sempre pequei. Sempre falei demais e nunca me policiei. Custava a pedir desculpas, sempre achava que do meu jeito estava certo. E sempre estava errado. 

Quando estava grávida do Sebastian, nós encontramos uma igreja católica próxima de casa e eu senti uma vontade inexplicável de ir à missa. E amei! Me senti em casa, mesmo rezando em inglês. Matt ia comigo, só por ir, para fazer companhia porque era legal ir a igreja, mas sem ter um porque, uma razão para fazê-lo. 

Na hora da sagrada comunhão ele ia segurando a mão do Nathan só para que os dois recebessem uma bênção e já ia se sentar. Eu recebo a comunhão desde os 14 anos. 

Como um milagre, na primeira missa que fomos depois do diagnóstico, eu chorava muito e pedia muita sabedoria e força para nós todos, pois sabia que viriam tempos difíceis. Então no mesmo dia, no final daquela missa, o padre anunciou o curso de catecismo para adultos, que começaria em pouco tempo e tinha as inscrições abertas para tal. 

Eu estava conversando com a Virgem Maria em meus pensamentos e não ouvi nada disso, então quando voltamos para o carro  Matt falou:
- é destino! É isso que Maria quer de mim, quer que eu seja um servo de Deus, quer me mostrar que eu preciso tomar um rumo na minha vida religiosa e preciso receber o corpo e sangue de Cristo para me curar. Eu vou fazer catecismo para poder comungar. 

Alguém ai imagina quantas lágrimas rolavam pelo meu rosto naquele momento? 

E mesmo com todos os contra-tempos, todos os tratamentos, todo o frio e chuva ele foi, e ainda vai para o curso. Sempre me conta como foi e o que discutiram na aula. Sempre vai de coração e alma abertos e sempre volta iluminado e feliz.

Ele teve a Primeira Comunhão na missa do Sábado de Aleluia, na Páscoa. Foi muito lindo, tranquilo, emocionante.




No meio de tudo isso, um pouco antes do Natal de 2014, meus país e irmã vieram passar uns dias com a gente é aproveitamos para batizar os meninos (Isso fica para outro post pois tem muitas fotos lindas para compartilhar). Meus pais nos apresentaram a Novena da Cura "Novena das Mãos Ensanguentadas de Jesus" e nós temos certeza que tudo junto, mas principalmente a novena tem um bom crédito nos resultados do Matt. 



E eis que depois de duas semanas que fez Primeira Comunhão, ele teve uma tomografia depois do ciclo de quimioterapia número 12 e adivinhem só? O CÂNCER ENCOLHEU!!! Não encolheu um monte, mas encolheu! 

Ta bom, ainda não é a cura, mas ooncologist  mesmo disse que não é normal acontecer. Primeiro doença estável e depois a diminuição, e completou dizendo que alguma coisa aconteceu no meio do caminho que mudou o destino do Matt e que isso quer dizer que ele vai viver mais...

Eu não sei se ele vai um dia se curar, osmédicos  acham que não é curável, somente tratável. Mas eu prefiro acreditar que ele vai conseguir essa GRAÇA e que minha mãe, a Virgem Maria, já colocou o nome dele aos pés de Seu Filho e que Ele vai ter misericórdia desse cara tão legal que só quer fazer o bem e nada mais que o bem....

Duas frases do Matt ao sair do consultório depois de saber do resultado da tomografia:
- Graças a Deus! (Em português) 
-I'm nailing that f......r (prefiro não traduzir) 




domingo, 19 de abril de 2015

Folfirinox

Quando Matt foi diagnosticado com Pancan nosso mundo caiu. Tudo parecia escuro e nosso futuro parecia não existir. 

Sem tratamento ele teria de 3 a 6 meses de vida. Sim, o câncer de pâncreas é bem agressivo e sem tratamento pode tomar a vida em pouco tempo.

Felizmente Matt tem um plano de saúde pela empresa em que trabalha e por isso tudo é feito muito rápido,com muita eficiência em sem burocracia. Plpm. De 

Não que o NHS ( Sistema Público de Saúde daqui) não seja bom, muito pelo contrário, se tem uma coisa que o Reino Unido se orgulha é de como a saúde pública funciona bem aqui. É claro que existem problemas, mas comparado ao sistema de alguns países ele realmente é melhor, e tenho certeza que Matt estaria em boas mãos sendo tratado pelo NHS, mas como pode fazer pelo plano então vamos fazer né. 

Pelo plano então, conhecemos o Dr. Dhillon nosso queridíssimo oncologista e seu senso de humor desigual! Ele nos explicou que queria ser bem agressivo com o tratamento para o Matt porque ele aguentaria. 

Explicou também que ele teria alguns efeitos colaterais como formigamento nos dedos das mãos e na sola do pé, sensação de inchasso na garganta, sabor metálico na boca, mas que não perderia seu cabelo, o que acabou acontecendo um pouco, mas logo parou, quando diminuíram a dose da quimioterapia.

O que muita gente não sabe é que cada tipo de câncer é tratado com drogas específicas. Por exemplo o câncer de mama é tratado com drogas que afetam os dutos capilares, e por isso eles enfraquecem e secam, fazendo os cabelos caírem e assim que o tratamento termina o cabelo volta a crescer. 

No caso do câncer de pâncreas o tratamento mais forte é o Folfirinox seguido do Gemzar. Dr. Dhillon  junto com um time de especialistas, analisou o caso do Matt e resolveram pelo Folfirinox. 

FOLFIRINOX (oxaliplatina, irinotecano, 5-FU e leucovorin) essa é a composição do folfirinox, não sei exatamente o que cada droga significa, procuro não me aprofundar muito porque sei que vou ficar mal, vou acabar falando pra ele e vamos acabar achando que o tratamento vai fazer mais mal do que bem. A única coisa que sabemos é que a oxiliplatina é feita de platina mesmo! Imagina o que não faz no teu corpo! 

Outra coisa que muita gente não sabe é a quantidade de pesquisas que os especialistas fazem todos os dias para chegar a cura do câncer e o nosso queridão dr. Dhillon além de oncologista também faz pesquisas. Ele sempre traz boas notícias sobre suas pesquisas e nos mostra a quantidade de tratamentos que Matt pode fazer. 

Se eu fico totalmente confiante no médico? Não, não fico. Eu confio em Deus! E acredito que Ele tem um propósito para nossa vida e foi ELE que colocou o Dr. Dhillon no nosso caminho.

Fácil não é, mas cada sessão é diferente e Matt reage diferente ao tratamento a cada sessão. Dessa vez, sessão 12 ele perdeu o apetite mais do que o tratamento anterior, por causa da virose e acabou perdendo ainda mais peso. Chegou a 63 kgs! 

Como contei aqui Matt teve uma melhora muito grande nas marcas de tumor no sangue depois daquela pausa que ele teve por 6 semanas. E seus números   continuram baixando. Dr. Dhillon está muito otimista e disse que se a próxima   tumografia mostrar que o câncer diminuiu ele vai sugerir mais algumas sessões de Folfirinox para depois decidir o que fazer. 

Então ao mesmo tempo que queremos que esta seja a última sessão, também não  queremos que seja porque se ele continuar sera por uma boa causa, por uma necessidade maior e que, se Deus quiser, valerá a pena.






sexta-feira, 13 de março de 2015

The one after the diagnosis





Eu tenho recebido muitas mensagens de pessoas querendo saber como está o marido e como foi (e está sendo) todo o processo, pedindo dicas etc... Calma gente, eu vou escrever o máximo que eu puder, mas eu sou detalhista e é com todos os detalhes mesmo que quero ir contando nossas histórias...

Bom, passado o choque inicial foi a hora de pensar em como seguir em frente e qual seria o próximo passo. O medo de perder o único homem que eu amei de verdade, o único homem que escolhi para ser pai dos meus filhos, já havia passado. Nós decidimos que iríamos lutar e iríamos vencer, juntos, com fé, amor e união! Nós decidimos que faríamos de tudo para que os meninos não sentissem que estávamos passando por esse drama.

O diagnóstico foi dado em uma sexta feira, e passamos o final de semana como zumbis, chorando escondido um do outro pelos cantos da casa e nos agarrando aos pequenos como se fosse o último abraço... Mas NÃO! Não seria o último e nós iriamos lutar.

Na semana seguinte nós resolvemos fazer uma visita ao pai do Matt para contar o que estava acontecendo, assim o velhinho (de 81 anos, só que mais forte do que eu se bobear) iria ver que Matt estava bem, forte e pronto para a batalha.

A esta altura minha família toda já sabia, lá no Brasil. Na sexta feira mesmo eu liguei para meus país e contei tudo, aos prantos, segurando meu bebê... Eu juro que, em 31 anos de vida, nunca vi meus pais chorarem tanto!

Matt tomou todo o cuidado para não usar a palavra câncer durante a conversa com o pai dele, que foi bem tranquila. Ele sempre foi muito cuidadoso com as palavras e não queria que, o fato de sua mãe ter morrido de câncer, fizesse com que seu pai se desanimasse.

Nos dias que se seguiram as coisas se agravaram. O tumor progrediu rapidamente e em poucos dias ele não conseguia comer, se sentia enjoado e queria vomitar o tempo todo, como se a comida toda estivesse tentando voltar... E estava.

O gastro dele resolveu colocar uma sonda que desceria pelo seu nariz até o duodeno, para que ele recebesse alimento e se sentisse forte. Mas ao tentar o procedimento a surpresa: o tumor havia crescido tanto que estava bloqueando o duodeno e a comida não tinha pra onde ir. Rapidamente eles esvaziaram seu estômago e decidiram fazer uma cirurgia para, literalmente, mudar o duodeno de lugar, assim a comida encontraria uma outra saída e o sistema digestivo faria seu curso "normal" de volta.

Matt se internou no sábado, logo pela manhã e a cirurgia foi feita a tarde. Eu não fui vê-lo, não pude, não tinha ninguém para ficar com meus meninos, então ajoelhei e rezei, com toda minha fé, para que a Virgem Maria o cobrisse com Seu Manto Sagrado e o livrasse de qualquer sofrimento, simplesmente porque ele não merecia! E ainda acho que ele não merece tudo isso...





Nos falamos por telefone, já era noite e eu avisei que iria vê-lo com os meninos no dia seguinte. 

As borboletas no meu estômago voavam como se estivesse indo encontrá-lo no aeroporto depois de uma longa viagem. Só que dessa vez junto com meus dois pacotinhos.. 

O quarto era grande e arejado, a cama estava bem no meio e lá estava ele, com roupa de hospital, meias de compressão, cabelo bagunçado, olhar cansado, porém feliz... Otimista, mesmo com uma sonda enfiada em seu nariz. Pronto, o pior tinha passado.

Durante q cirurgia, com muita inteligência, o médico colocou uma sonda semi permanente, que fica presa na barriga dele, entra pela pele e vai direto até o duodeno. No caso de Matt perder muito peso ou por algum motivo não conseguir se alimentar oralmente, a sonda estaria ali. Clever huh?! 

Matt se recuperou como um guerreiro! E em 10 dias teve e primeira sessão de quimioterapia. Eles queriam ser muito agressivos com as drogas, pelo fato de Matt ser relativamente jovem e (tirando o câncer) saudável. Não teve muitos efeitos colaterais, somente muito cansaço...

O tratamento chamado Folfirinox, seria administrado a cada duas semanas e tem duração de 3 dias. Um dia no hospital, por 5 horas recebendo fluidos e mais 46 horas recebendo mais fluidos lentamente. Para isso, Matt é conectado a um tipo de garrafinha que fica liberando o líquido por quase dois dias. Duas enfermeiras então vêm até a nossa casa e o desconectam.

Depois do segundo tratamento as coisas mudaram... Matt teve muitos efeitos colaterais, ficou muito enjoado, fraco, com muita fadiga, muito sono, teve uma infecção urinária e ficou na mira dos médicos, pois queriam que ele recebesse um tratamento forte, mas ele precisava estar pronto para isso. Então ele foi obrigado a tomar antibióticos para a infecção e por conta disso o tratamento número 3 teve de ser adiado. 

Depois disso Matt teve uma outra infecção, no peito, mas foi tratado com antibióticos e logo estava pronto para mais um tratamento. 

O plano era fazer uma tomografia depois do tratamento de número 6, geralmente funciona desse jeito. Mas depois dessas duas infeções, seu oncologista, Dr. Dhillon resolveu pedir uma tomografia adiantada, depois de quatro sessões, que teve o resultado de: doença estável. 

Se eu estava desapontada? Sim! Mas o médico me garantiu que esta era uma boa noticia. Nos explicou que existem 3 possibilidades: progressão, regressão e estabilidade. E só a primeira era má notícia. 

Depois da sessão 7, Matt desenvolveu uma inflamação no fígado e teve que ficar sem fazer o tratamento por 6 semanas. Até esse ponto, Matt estava comendo de tudo, normalmente, embora tenhamos tirado a carne da nossa casa por 3 meses, (tivemos que voltar a comer carne por conta de uma anemia que Matt teve), tentávamos fazer com que Matt ganhasse peso ou, pelo menos, não perdesse mais peso, afinal ele já havia perdido 14 quilos. 

Então conversamos e resolvemos mudar a alimentação completamente, para que seu figado não sentisse tanto os efeitos da quimioterapia e que pudéssemos continuar atacando o câncer, enquanto fora da químio, o máximo possível. 

Depois de 6 semanas sem quimioterapia Matt estava se sentindo ótimo! E realmente ficou triste nos dias que antecederam o tratamento de número 8. Ele me confidenciou que estava meio apreensivo para voltar ao tratamento. Bless him! 


Nós não esperávamos que teríamos uma surpresa tão boa, porém, quando estávamos no hospital. Para quem não sabe, antes de cada tratamento, o paciente de câncer faz exames de sangue. Entre outras coisas eles checam a "marca de tumor" que conta o quanto o câncer está ativo. Cada tipo de câncer tem uma sigla, e a do câncer de pâncreas é a CA19-9. 

Em janeiro, quando Matt teve de parar o tratamento, seu CA19-9 estava acima de 4000. E 6 semanas depois, sem tratamento, com dieta, o CA19-9 havia caído para 689, descendo ainda mais para 126 no tratamento 9. Eles não checaram no tratamento número 10 então não posso contar como está no momento. 

Durante todo esse tempo, foi como se estivéssemos em uma montanha russa. Alguns dias bons outros ruins, mas a vida é assim de qualquer maneira, não é? A esperança e a fé crescem a cada dia, assim como cresce nosso amor. Eu sei que Matt vai se curar, ninguém precisa me dizer isso, eu sei porque eu sinto... Eu sei porque eu quero, nós queremos e Deus não vai nos ajudar, ELE já está nos ajudando. 

E é assim que Matt é esta hoje. Fazendo o tratamento, seguindo em frente, cheio de fé, coragem e força, doido pra terminar logo o tratamento, mas que seja feita a vontade de Deus, se ele tiver de fazer mais sessões, ele fará e por aí vai...

Então, há algumas eu sonhei que Matt não tinha nada. Que nunca tinha tido câncer, que eu vivia reclamando de tudo, querendo sempre mais e mais e que ele estava triste e de "saco cheio" e me pedia o divórcio, que não aguentava mais aquela situação. Não foi sonho, foi pesadelo ne?! 

E daí que na semana passada tive outo sonho, como se fosse a continuação... Nesse sonho eu estava mega triste, querendo me reconciliar com ele, e ele estava irredutível, sozinho, na dele, mas longe de mim e não queria voltar... 

Naquela manhã acordei aos prantos... Contei pra ele o sonho chorando muito, não porque tinha sonhado que ele não me queria, mas porque pude ver como seria minha vida sem ele... E isso eu não quero nem sonhar... Nunca mais... 

Parecia, porém, um aviso de Deus, me mostrando o que poderia ter acontecido com a nossa vida, com o nosso amor. E então aquela coisa que disse em outro post volta neste: tudo acontece no tempo de Deus, e só dEle! Porque Ele sabe de todas as coisas!

Até a próxima. 







sexta-feira, 6 de março de 2015

Kataklisma




Se você for de São Paulo ou já foi a algum parque de diversões já deve ter ido em algum desses brinquedos que te deixam de cabeça para baixo... Pois é foi bem assim que nos sentimos no dia  05 de Setembro de 2014, há exatos 6 meses meu amado marido foi diagnosticado com câncer de pâncreas em  estágio avançado, ou seja, com metastases em outros órgãos, que no caso dele foi o fígado.

Eu me lembro, como se fosse hoje....


A consulta era às 10 am e eu não podia ir por causa dos meninos, o Terremotinho com 2 anos e 1 mês, e o tufãozinho com 8 semanas. Eu vi o marido chorar uma vez somente, nesses 5 anos de relação... Até aquele dia....



Ele entrou em casa e eu estava no sofá, amamentando o meu caçula. Nathan, meu filho mais velho, foi até a porta dar um beijo no papai e eu ouvi seu choro baixinho agarrado ao nosso filho...

Ele não conseguia falar e eu suplicava para que me contasse o que estava acontecendo, que estava ficando desesperada, mas ele só chorava... E me abraçou... Então eu entendi...


A suspeita era de pedra na vesícula, mas a verdade era o silencioso câncer no pâncreas....



É impressionante como essas coisas nos fazem perceber o quanto amamos a pessoa com a mínima chance de perdê-la... Aquele olhar, aquele sorriso, aquele jeito gostoso de me abraçar, o jeitinho carinhoso que ele dá bronca no Nathan e a paciência que tem comigo! Foi um p.... Wake up call! 

Até aquele dia eu andava extremamente estressada, vivia colocando a culpa nele por qualquer coisa que não estivesse certa, mais resultado do cansaço de ter uma criança e um recém nascido sob minha responsabilidade quase 24 horas por dia... Carrego uma culpa gigante por tê-lo tratado do jeito que vinha tratando naquelas semanas que anteciparam o diagnóstico, e naquele dia parece que havia um carimbo na minha testa dizendo: egoísta! Tudo que ele sempre fez foi pensando no nosso bem estar, e de todos aqueles que ele ama, nunca o vi faltar ao respeito com ninguém, nunca o vi mal dizer ninguém, nunca o vi querer o mal a alguém! Eu só pensava Por que meu Deus! Mas ele me disse, não questione Deus, pois Ele escolhe seus filhos mais fortes para lutar as batalhas mais difíceis! Não vou a lugar algum, fique tranquila, nós vamos lutar e vamos vencer! 

Sabe, nossa luta está só na metade, mas aprendemos muito um sobre o outro é principalmente sobre o quanto é importante  confiar na pessoa que está ao seu lado. 

Matt sempre foi um herói, passou por muitas coisas, boas e ruins! Ele sempre será meu guerreiro! Meu grande guerreiro!  

Bom, eu espero que este seja o único post triste que escrevo neste blog, claro que sempre há altos e baixos, pois ninguém é feliz 24/7, mas nós tentamos ver o lado bom de tudo, tentamos tirar o melhor de cada experiência, seja ela qual for. Num outro post eu quero contar sobre o tratamento, baixar tabus e esclarecer algumas dúvidas sobre a quimioterapia, porque é uma coisa que ninguém quer ler sobre, pois não quer estar naquela situação não é? 

Por hoje é só pessoal!